Produzido pela 16mm Filmes, Atravessando Gerações levou Bronze no Prêmio Colunistas 2025 com uma narrativa que une arquivo, cinema e inteligência artificial para falar de memória, legado e futuro.
Entre cumprir uma entrega e marcar uma história
Nem todo filme institucional nasce para ser lembrado. Muitos cumprem briefing, entregam uma mensagem e encerram ali o seu papel. Outros conseguem fazer um caminho mais raro: transformar uma data comemorativa em narrativa, uma entrega em linguagem e uma história institucional em filme.
Foi esse o caminho de Atravessando Gerações, produzido pela 16mm Filmes para celebrar os 80 anos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O projeto parte da memória da CNC para construir uma narrativa cinematográfica sobre legado, trabalho e futuro, unindo arquivo, imagem e inteligência artificial em uma mesma linha do tempo.
Agora, essa escolha criativa também foi reconhecida pelo mercado. O filme conquistou Bronze no Prêmio Colunistas 2025, na categoria Melhor Trabalho Realizado com IA, Filmes.

Quando a IA vira linguagem
Em uma categoria dedicada ao uso de inteligência artificial, o mais interessante em Atravessando Gerações é justamente o fato de a tecnologia não tentar roubar a cena.
A IA não aparece como efeito gratuito, nem como demonstração de ferramenta. Ela entra como linguagem. Serve para ampliar a narrativa, aproximar tempos diferentes e dar forma visual a algo que nem sempre o arquivo consegue mostrar sozinho: a passagem do tempo.
Porque contar 80 anos de história não era apenas revisitar o passado da CNC. Era mostrar como uma trajetória continua viva, passando de uma geração para outra.
Avô, pai e neto: uma linha do tempo viva
Atravessando Gerações acompanha avô, pai e neto em uma narrativa que representa passado, presente e futuro. Três gerações em cena para traduzir uma ideia maior: o comércio brasileiro também é feito de legado, aprendizado e continuidade.
É uma história que passa de mão em mão, como quem entrega uma chave, um balcão, uma profissão ou uma forma de ver o mundo.
Nesse ponto, os retratos criados com apoio de IA ganham força. Eles não estão ali para substituir a memória, mas para preencher visualmente o espaço entre o que foi vivido, o que foi registrado e o que ainda pode ser imaginado.
O filme encontra sua linguagem nesse encontro de camadas: arquivo antigo, imagem cinematográfica captada com ARRI Alexa 35 e inteligência artificial trabalhando dentro da narrativa.
Três tempos.
Uma mesma história.
Um filme em que tradição e inovação não aparecem como opostos, mas como partes da mesma travessia.

A tecnologia foi premiada porque serviu à história
O Bronze no Prêmio Colunistas não reconhece apenas a presença da inteligência artificial no filme. Reconhece uma escolha de linguagem: usar a tecnologia para dar forma ao tempo, aproximar arquivo e imaginação, e fazer a memória avançar sem perder o vínculo com o real.
Em Atravessando Gerações, a IA ganha importância porque não entra como vitrine. Ela trabalha junto do arquivo antigo, da imagem cinematográfica e da narrativa de avô, pai e neto. Seu papel é criar passagem, continuidade e presença visual para uma história que atravessa 80 anos.
Esse é o ponto que torna o reconhecimento mais interessante. Em um momento em que muitas campanhas usam IA como demonstração de novidade, o filme usa IA como parte de uma construção narrativa. A pergunta deixa de ser “olha o que a tecnologia faz” e passa a ser “o que essa tecnologia permite contar melhor?”.
Antes de receber o Bronze, o projeto já tinha resolvido sua principal tarefa: tirar os 80 anos da CNC do lugar comum da comemoração institucional e transformar essa data em uma história com rosto, tempo e legado. O prêmio apenas torna mais visível essa decisão criativa.
A tecnologia foi premiada, sim. Mas foi premiada porque encontrou função dentro do filme. Porque ajudou a dar imagem à memória. Porque não entrou para substituir a história, e sim para revelar uma camada que só fazia sentido naquele encontro entre passado, presente e futuro.




